A biodiversidade e a conservação dos ecossistemas vêm ganhando cada vez mais visibilidade econômica, é o que mostra o relatório TEEB – A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade para o Setor de Negócios, lançado hoje, em Londres, durante o I Simpósio Global de Negócios de Biodiversidade. O documento faz parte de uma série de relatórios que serão publicados pelo PNUMA– Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em 2010, o Ano Internacional da Biodiversidade, e compilados em um único volume, a ser lançado na COP10 – Convenção sobre Diversidade Biológica, em Nagoya (Japão), em outubro deste ano.
O estudo revela a preocupação dos empresários, especialmente dos localizados em países em desenvolvimento, em relação à perda de biodiversidade, considerada como capital natural. Na América Latina, mais da metade dos presidentes executivos entrevistados pela equipe responsável pelo relatório vêem a diminuição das espécies como uma ameaça ao crescimento de suas companhias. Na África, 45% dos chefes das empresas têm a mesma preocupação. Por outro lado, na Europa Ocidental, esse número não chega a 20%.
No entanto, o estudo revela que os empresários que não considerarem o cuidado com a diversidade biológica em seus planos de negócios poderão enfrentar cada vez mais dificuldades no mercado. Isso porque, segundo o relatório, 60% dos consumidores na América e na Europa estão interessados em saber o que as empresas têm feito em favor da biodiversidade. No Brasil, são 90%. Mais de 80% dos consumidores entrevistados no mundo afirmaram que parariam de comprar produtos de empresas se soubessem que essas não assumem posturas éticas ao adquirir produtos e contratar serviços.
A tendência é que surjam cada vez mais ferramentas para avaliar a influência dos negócios sobre a perda de capital natural. O relatório recomenda, inclusive, que profissionais de contabilidade e órgãos de notificação financeira se empenhem em desenvolver normas e medidas comuns para que as empresas façam relatórios anuais comparáveis em termos de impactos sobre a natureza.
Para a consultoria inglesa TruCost, contratada pelos Princípios da ONU para o Investimento Responsável, a estimativa é de que as 3 mil maiores empresas do mundo gerem um impacto negativo sobre os ecossistemas equivalente a 2,2 trilhões de dólares por ano.
Com base em dados como esse, o estudo propõe ao setor empresarial a adoção de termos como “sem perdas líquidas”, “neutralidade ecológica” e “impacto líquido positivo” sobre o meio ambiente. As empresas pioneiras têm demonstrado, na prática, que além de reduzir seus impactos negativos sobre a natureza, é possível cortar custos e até mesmo gerar receita a partir da conservação dos ecossistemas e da biodiversidade.
Fonte: Planeta Sustentável
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